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30/7/2010

CICLO COMUNICAR INOVAÇÃO

Por uma inovação como nos velhos tempos

Cândida Nobre

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Cândida Nobre, jornalista, publicitária e mestre em Comunicação

O discurso começa profético: as redes sociais vão mudar a sua vida e a de sua empresa. E você vai ser obrigado a entrar em cada uma dessas novidades que aparecem como promessa de um futuro brilhante e promissor. Após ler sobre as 10, 20 ou 101 maneiras de utilizar as redes a seu favor, frequentar inúmeras palestras de cansativos e emergentes analistas de mídias sociais, combater os mais ferozes críticos que afirmam que alguns desses ambientes são verdadeiras torres de Babel com grunhidos e balbucios inúteis, alguém vem e quebra todo o seu encanto: as redes sociais nada mais são do que uma rede de pessoas. É de ficar sem chão, pensativo por meses, afinal, o pouquíssimo tempo que você tinha tecnicamente livre foi gasto com essa autoajuda digital.

Mas a verdade é que ainda vale alguns minutinhos de reflexão sobre o assunto.  Sim, as redes sociais precedem a Internet como lembra Raquel Recuero, mas sim, a tecnologia tem a sua parcela de alteração na maneira como lidamos com o outro e com nós mesmos, como reforça Vinícius Andrade Pereira e antes dele, McLuhan e, entre eles, Kerckhove.  Este último lembra que a estruturação de uma representação simbólica da linguagem não mais calcada em imagens, mas em fonemas, por nós conhecida como alfabeto, seguiu um padrão do nosso cérebro, mas também mudou a maneira como o utilizamos. E isto é inovação.

Da mesma maneira, a linguagem binária propõe uma outra organização do conhecimento e, sobretudo, da linguagem que tal conhecimento é transmitido, armazenado, recriado. Assim como redes sociais são só redes de pessoas, na Internet, músicas continuam sendo só músicas, vídeos apenas vídeos e livros a mesma coisa. Entretanto, a maneira como nos relacionamos com eles pode ser completamente distinta. Posso fazer música sem saber tocar um instrumento, por meio do remix, assim como produzir vídeos sem nunca ter utilizado uma câmera para capturar imagens. Meus livros agora são hipertextuais e não precisam armazenar apenas palavras.

É claro que estamos apenas dando alguns exemplos dessas novidades. Também é possível que continuemos a nos relacionar com esses produtos como na velha e empoeirada Modernidade. Mas preciso lembrá-los a partir de todos esses teóricos citados e tantos outros omitidos que a mudança e, portanto, a inovação, vem exatamente da capacidade de o indivíduo explorar todas as possibilidades das quais dispõe.

Assim, as leis de outrora, desenvolvidas naquela velha e empoeirada Modernidade baseada na posse e, consequentemente, no engessamento da cultura em prol do controle e dos grandes lucros, devem ser rediscutidas, reavaliadas para que seja livre o uso que a rede já nos convida. Porque, continuamos sendo apenas uma rede de pessoas que desenvolve a técnica e esta adquire usos que vão muito além do que havíamos pensado no princípio, num processo antigo, tão antigo quanto à cultura humana, chamado de Inteligência Coletiva. Mas aí já é assunto para um outro debate...
 

Cândida Nobre é jornalista, publicitária, mestre em Comunicação e Culturas Midiáticas pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), professora do Instituto de Educação Superior da Paraíba (Iesp) e pesquisadora do Gmid (Grupo de Pesquisa em Processos e Linguagens Midiáticas, do PPGC/UFPB), de onde tirou as reflexões para a produção deste artigo.


COMENTÁRIOS( 4 )





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Cândida Nobre       2/8/2010 10:36:40
Guga, vi depois esses dias o vídeo no Brainstorm9 e é realmente excelente! Faz a gente repensar nesse discurso de que a internet conecta todo mundo e você fala com alguém na China e coisa e tal. Será que a gente sai mesmo da nossa zona de conforto?

raquel       2/8/2010 09:48:15
Pois é, Cândida, essa bola já foi cantada há tempos, sem denominações ou descrições muito específicas, estava tudo lá. E daí me pergunto: por que nos surpreendemos tanto com essas mudanças (previsíveis)?! Tudo bem, nem todo mundo tem acesso ou interesse nos teóricos. Mas mudar é bom por princípio, eu penso. Estamos no meio do caminho, procurando nos sentir em casa e tateando o lugar das nossas coisas. Vamos aprendendo, aliás, nunca paramos. E isso também é muito bom. Excelente, Cândida. Parabéns.

Gustavo Amorim       2/8/2010 09:17:44
Poxa muito boa a reflexão a respeito da "modernidade" e "inovação" um bom exemplo foi um texto que saiu no Brainstorm9 falando sobre a palestra de Ethan Zuckerman no TED, no caso ele fala sobre o "Cala Boca Galvão". Segue o link: http://www.brainstorm9.com.br/social-media/ouvindo-as-vozes-globais-as-licoes-do-cala-boca-galvao/. Viva os tempos modernos...

Rafael Samways       1/8/2010 12:56:29
Prof Cândida; O paralelo entre o passado e o futuro traz o discernimento do que realmente é inovador. Parabéns pelo texto e pelas provocações contidas em seu artigo.

 
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