Formado em Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade Federal do Ceará, com pós-graduação em Assessoria de Comunicação pela Universidade de Fortaleza e Master em Comunicação e Organização pela Universidade “La Sapienza” de Roma, sob orientação do sociólogo Domenico De Masi. Ainda na Itália, atuou como consultor de Trade Marketing na televisão estatal italiana RAI. Também produziu um vídeo paródia de um spot viral da Dove para a defesa do Mestrado que acabou sendo eleito “o melhor da semana” pela MTV italiana. Possui oito anos de experiência em Comunicação Empresarial e atualmente trabalha em projetos de reestruturação de Comunicação Interna. Twitter @fabio_viana
Na minha última coluna, escrevi sobre estratégias de inserção em redes sociais voltadas para o público externo. Agora, concentremo-nos em uma situação particular que vem sendo colocada como meta de comunicação em muitas empresas: redes sociais em comunicação interna. Mais uma vez, retoma-se o discurso de estratégia, de análise, de ponderação. Devemos considerar a dimensão da empresa, o tipo, a segmentação de público e analisar a comunicação interna existente.
A primeira argumentação é relativa à dimensão do negócio: se a sua empresa possui poucos funcionários e não está dispersa geograficamente, será que vale a pena investir no uso de uma rede social interna? Uma comunicação interna eficaz, baseada principalmente no corpo a corpo, já não seria suficiente? Uma boa definição de veículos e rotinas de comunicação talvez também já suprisse a necessidade de comunicação interna.
Em relação ao tipo de empresa e segmentação do público, consideremos o exemplo daquelas que possuem a grande maioria dos funcionários trabalhando fora do escritório, como uma mineradora. Deve-se analisar o acesso a computadores, palm, celular com plano de dados ou qualquer outro meio de conexão à Internet que os funcionários possuam. Na maioria das vezes, pode ser que tenham acesso só a rádios transmissores. Caso seja encontrado um meio campo para solucionar o problema, como instalação de terminais em refeitórios, deve-se analisar o espaço e ‘liberdade’ que serão dados a estes funcionários. Acesso restrito, com direito parcial (ou não) de interação, deve ser bem validado para que a estratégia não perca os princípios de diálogo, mediação, participação, cooperação e, acima de tudo, transparência – premissas das redes sociais. Desta forma, deve ser bem discutida a conveniência desta inserção social, como também a disponibilidade de tempo dos funcionários para tal. Ou melhor, analisar se a rede mais conveniente seria aquela para descanso.
Na mesma mineradora, também não podemos deixar de ressaltar a importância da estratégia de redes sociais para a minoria de funcionários composta por Gestores e funcionários que trabalham em escritório e com fácil acesso à rede, mas dispersos geograficamente. A considerar este nicho, as redes sociais podem melhorar muito no processo de integração, alinhamento, agilidade e, porque não, na motivação dos times que estão ‘dentro e fora de campo’.
A maturidade da empresa em comunicação interna é essencial para este movimento. Pontos fundamentais – leiam-se processos, políticas, ferramentas motivacionais, campanhas de endomarketing, eventos, rotinas, veículos, cultura organizacional consolidada – devem ser considerados para que as redes sociais sejam um agregamento e não um problema. Uma comunicação interna bem estruturada é a base para que esta nova rede não se transforme em teia, onde a aranha, em vez de nos ajudar – tecendo – nos colocaria como presas que poderiam ser atacadas a qualquer momento. Just think about it.
Leonardo Bragança 26/7/2010 17:41:44
Perfeito este "liberdade" entre aspas, Fábio. Porque a questão é exatamente esta. Pra mim, a resposta está em seu segundo parágrafo, afinal realmente a boa definição de quais as melhores ferramentas e o melhor uso delas é o que vai determinar o sucesso da boa comunicação interna, não exatamente o "vamos agora implantar uma rede social interna e tudo será resolvido". É mesmo uma questão de maturidade e mais ainda do quanto a empresa respira comunicação interna. Você deu o exemplo de empresas com funcionários dispersos, mas lembro que existem empresas que numa só sede, num único andar, podem apresentar problemas seríssimos de fluxo de comunicação, simplesmente por uma questão de cultura, de politicagem e afins. Um abraço.