Marcio Gonçalves é jornalista, doutorando em ciência da informação pela UFRJ/IBICT, com especialização em pesquisa de mercado e opinião pública e mestrado em ciência da informação. É professor universitário, autor do livro ‘Comunicação pra quê?’ e pesquisador da área de comunicação corporativa e comunicação e novas tecnologias. É o responsável pelo conteúdo do blog Comunicação Empresarial (http://marcio-comunicacaoempresarial. blogspot.com). Twitter @marciogoncalves
Se abrirmos as revistas de administração e economia, é quase certo encontrarmos alguma matéria abordando o tema inovação. Afinal, a dinâmica do mundo moderno requer atualização o tempo todo e as empresas que quiserem se manter no mercado competitivo devem estar focadas nos processos de inovação. Antes de seguir a leitura é preciso parar e refletir – como criar ambientes criativos e que estimulem inovações se a comunicação é um fator impeditivo?
A leitura pode parar por aqui se você já souber a resposta. Faça um desafio a si mesmo: continue a passar os olhos por estas palavras. Ainda há muitos líderes que não têm percebido o fracasso de suas equipes justamente porque estão cegos diante da falta de comunicação no ambiente de trabalho.
O modelo da teoria da informação ou teoria matemática da comunicação criada por Shannon e Weaver descreve, de forma resumida, que deve haver um emissor, uma fonte, um canal, um código, e, lá na ponta, um receptor que recebe uma mensagem e a codifica. É neste ponto, bem no final do processo, que as falhas acontecem e permitem a criação de ambientes hostis e que possibilitam a propagação dos ruídos.
Uma verdadeira liderança, nesses momentos, deve estar atenta a esses acontecimentos. A comunicação interna, nessas horas, deve ser bem administrada por seus líderes para impedir que o receptor tenha interpretações ambíguas das mensagens.
O cenário acima é o ambiente propício a intrigas e desavenças e cheio de disse-me-disse. Chegamos, então, a um quadro caótico em que não se pode ter espaço para a criação e a inovação. Se dissemos anteriormente que as empresas precisam estar atentas ao que o mundo moderno lhes impõe, é preciso que seus líderes trabalhem para que, a partir de uma comunicação clara, tenham funcionários motivados a criar e inovar. Como já sabemos, são as pessoas e, não as máquinas, que possuem a capacidade de criação. Se não há um local adequado que contribua para o surgimento de novos modelos de trabalho, a empresa pode estar a um passo de dar dois para trás.
Concluímos que, para inovar, é necessário que haja uma boa comunicação entre os pares. Os líderes de equipes de trabalho, portanto, têm papel essencial nesse processo. Afinal, uma ação puxa a outra. A partir de uma boa liderança é que se garante qualidade na comunicação e, finalmente, novas ideias que levem à inovação.
Este texto é parte do livro ‘Comunicação pra quê?’, de minha autoria, que pode baixado no blog Comunicação Empresarial.
Leonardo Bragança 14/8/2010 00:48:35
Legal esta passagem do livro do Marcio ter entrado no Ciclo. Somo essa argumentação dele à necessidade das empresas entenderem que inovar não é simplesmente inserir novos processos e jogar no lixo aquilo que se tem. Inovar é fazer melhor com aquilo que se tem. Tem um toque de "renovação" em um bom trabalho de inovação. Deixo a dica do livro do Sergio Zyman, Renovate Before You Innovate, infelizmente sem tradução pro portugês. É uma excelente obra.
Tânia Lima 1/8/2010 12:19:02
Uauuu... excelente leitura!!!
Fiz um trabalho no término da minha faculdade falando sobre a Importância da Comunicação Organizacional. E destaquei exatamente estes pontos, evidenciando que muito da comunicação no ambiente organizacional depende da liderança. E para se inovar e provocar mudanças significativas para clientes internos e externos, é necessário que a Comunicação aconteça de maneira "mais que" eficiente! Afinal de contas, é necessário que haja preocupação com o todo, e não somente com uma parte que alguns consideram mais importantes. Lideres e liderados precisam estar envolvidos em todo o processo de comunicação, pois é essa estratégia que garante excelência na conquista das metas estabelecidas pela empresa.
Vou baixar o livro... tenho certeza de que será uma leitura muito interessante!!!
Parabéns e abçs.
Thaís Santana 29/7/2010 18:40:52
Sempre contribuindo e inspirando! Aprendi Comunicação Empresarial com você, Márcio! Obrigada!
Sadon França 29/7/2010 11:41:31
Seguindo o mote de Inovação e Liderança, acho interessante a discussão sobre a inovação para liderar, ou seja, a criação de métodos, modos de trabalho, que busquem modificar e criar novos meios de liderança de uma equipe de trabalho. O grande líder é aquele que consegue vislumbrar através das peças que tem em mãos o todo que logo a diante será formatado pelo resultado obtido.
Os meios para chegar a este todo, a peça final do planejamento traçado e executado, só atingirão o sucesso se todo o processo é feito de forma coerente. E aqui a liderança é capaz de operar as alterações de rumo, as correções de rota necessárias para se obter o resultado favorável.
E em uma realidade de tanta velocidade, onde a informação é trocada mais e mais depressa, onde cada vez mais o acesso ao conhecimento se torna aberto. O líder precisa ser mais inovador, mais atento, para assim conseguir manter a equipe de trabalho focada no próximo passo.
Como diz o técnico Bernardinho, um dos grandes no que diz respeito a liderar “É preciso estar fora da zona de conforto” e para provocar está “zona de desconforto” é preciso criar situações novas. Para se distanciar então do quadro caótico mostrado por Marcio Gonçalves, precisa-se cada vez mais quebrar os paradigmas da liderança, inovando no dia a dia e trazendo novas experiências a todos os campos de atuação.